Eu estava parado a contemplá-la em seus últimos minutos,
Mas parecia uma eternidade, preza em cada grito de dor.
Em pé, eu, torcia para que tudo fosse logo silencio, e paz.
Mas a menina ainda sofria, jogada no chão como um fantoche,
Boneca viva, da beleza que se estendia por suas costas rasgadas,
Suas unhas arranhavam a terra de agonia, e sua boca espumava muito.
O vestido transparente agave contra o peso de seu corpo,
Era como um espetáculo para os céus limpos, atentos a este suplicia.
Ela estava presa, por um ser tão belo e inofensivo, que era esplendendo olhar.
Gavinhas encostadas de espinhos cobriam-na, e estupravam as veias de seu pulso.
Estendiam-se devagar por fora e por dentro de seu vestido, como víboras negras na areia.
Ousaram pintar de vermelho até suas partes dignas de cortejo, deturpavam-na inteira.
Nos lábios, as pontas venenosas invadiam sua boca e lhe proviam gemidos fracos e tortos.
O cheiro era quase insuportável, delirante, doce, estante para qualquer mortal, mel.
E ainda mais esplendendo, era a frágil rosa em suas costas, cujo galho suspendia de sua coluna.
E as pétalas caídas criavam raízes em meio aos cabelos negros da bela jovem quase morta.
Em sua pele começava a brotar espinhos agudos e afiados, no instante que sua boca parou,
Morreu num silencio assombroso, ainda aberta à boca vermelha começava a perder a cor.
Folhas começam a brotar em seus pés e também nas coxas, agora cobertas de varizes azuis.
Mas a rosa magnífica, começava a murchar e tombar em cima do corpo da menina sem alma.
Começa agora a morrer em martírio, comparado a toda dor e angustia que passara a jovem.
Aos poucos a rosa se despedia da vida, com um perfume capaz de se tornar visível.
No mesmo tempo que um broto nascia pela boca da menina, um broto verdinho e lindo.

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